Em entrevista coletiva realizada nesta segunda-feira, 18, a Secretaria da Segurança Pública de Sergipe (SSP/SE) informou que Celso Adão Portella, encontrado morto dentro de malas guardadas dentro de uma geladeira em um apartamento da Zona Sul de Aracaju, morreu há cerca de sete ano vítima de traumatismo craniano causado por uma queda.
Segundo a perita-odontolegista Suzana Maciel, o corpo não possuía nenhum material visando a sua conservação. “Com análises do IAPF, nós não encontramos, por exemplo, formol ou resíduos compatíveis com o uso de algum agente para conservar. O formol volatiza muito rápido e, durante esse tempo, ela pode ter usado inicialmente”, explicou.
“Mas isso não foi decisivo para a conservação do cadáver, o que a gente percebeu foi uma evolução normal dentro desse histórico. Foi um cadáver conservado dentro de uma mala e dentro de uma geladeira que, a princípio, funcionava. Então tinha uma temperatura que contribui para essa conservação, além da própria mala fechada. É compatível com os sete anos que estavam sendo investigados como tempo de morte de Celso Adão Portella”, acrescentou a perita-odontolegista Suzana Maciel.
Já o diretor do Instituto Médico Legal (IML), Victor Barros, destacou que o trabalho em torno do corpo de Celso Portella foi um dos mais complexos de Sergipe, sendo necessário o encaminhamento de diversas coletas para o Instituto de Análises e Pesquisas Forenses (IAPF) e para o Rio de Janeiro. “Então constatamos que a causa da morte ocorreu em decorrência de uma queda”, detalhou.
Ele também informou que com a queda, foram provocadas as lesões que resultaram na morte, assim como evidenciou Victor Barros. “A queda gerou uma fissura no osso frontal e consequente hematoma subdural intracraniano. Esse hematoma gera o ‘intervalo lúcido’ em que a pessoa não morre no momento da queda. Há um espaço de tempo variável entre 30 e 50 minutos em que a pessoa permanece viva e só então vem a falecer. Os diversos estudos também confluem para identificar que a morte ocorreu há sete anos”, complementou Victor Barros.
Por fim, Victor observou que a queda pode ter ocorrido de maneira acidental, pois a vítima era uma pessoa de mobilidade reduzida e portadora de artrose. “Então nós acreditamos que a queda se deu em decorrência de um acidente. Não acreditamos em uma queda provocada, embora a autoridade policial possa indicar uma outra vertente”, esclareceu o diretor do IML”, afirmou.
Cabe destacar que no apartamento onde o corpo foi encontrado havia uma criança convivendo em um cenário de maus-tratos, com fraudas sujas e mau cheiro. Ela foi retirada do imóvel e recebeu assistência. Por isso, o inquérito policial foi concluído com o indiciamento de uma mulher por ocultação de cadáver e maus-tratos contra pessoa menor de sete anos.

